E, respondendo, disseram-lhe: Onde, Senhor? E ele lhes disse: Onde estiver o corpo, aí se ajuntarão as águias. (Lc 17:37)
Isaias Solitario
10. Se teu intelecto está livre de todos os inimigos e atinge o repouso de sabá, ele vive em outro éon (aion), um éon no qual contempla as coisas novas e sem decadência. "Pois onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão as águias".
Jerônimo: O CADÁVER E AS ÁGUIAS
Tomas de Aquino: CATENA AUREA — Mateus - Lucas
Roberto Pla: Evangelho de Tomé - Logion 87
Antonio Orbe: Parábolas Evangélicas em São Irineu
O dito tem aspecto de refrão. Irineu de Lião opta pela forma de Mateus (ptoma = cadáver). O refrão se assemelha a Jó 39,30, mais com o texto da Vulgata que da Septuaginta.
Ao odor do cadáver aparecem desde de longe os abutres, famintos de carne, atraídos dos quatro ângulos da terra.
Aqui também, de todas as partes, convoca Deus a seus filhos, para que se nutram da "carne gloriosa" do Salvador e participem de sua doxa ("participantes gloriae Domini").
Com efeito — segundo Isaías —, "para glória minha preparei (ao homem) e o modelei e fiz" (fala Deus); isto é, a fim de que, unido ao Salvador, participe de sua glória".
A analogia resulta forte. A "carne gloriosa", plena de claridade divina, substitui aqui o cadáver do animal abandonado. Mt 24,28 fala de "cadáver" (gr. ptoma); Lc 17,37, de corpo (soma). Irineu de Lião se atém à forma primeira.
Os crentes vestidos de carne se lançarão como águias a fazer coro ao corpo glorioso do Salvador, partícipes de sua (doxa), cortesões entorno ao Rei. Marcion eliminou Lc 17,37) devido à ênfase na carne.
Porque "como águias" (abutres)? Segundo matiz insinuado mais tarde por Ambrósio de Milão os predestinados voam alto, a impulsos do Espírito inerente a sua carne, sobre as leis da matéria.